Santuário de Nossa Senhora da Póvoa

Vale da Senhora da Póvoa

(Vale de Lobo)

A capela de Nossa senhora da Póvoa, de Vale de Lobo, situada a cerca de 1 500 metros daquela freguesia, nos Brejos, sopé da Serra d’Opa:

Nossa Senhora da Póvoa

Onde ficais situada

Num desvão da Serra d’Opa

Numa casa caliada

Como canta o povo, dista doze quilómetros da histórica e pitoresca Vila de Penamacor.

 Até hoje nada há publicado, que saibamos, sobre a sua fundação e, por isso,  nos limitaremos a descrever a origem tal como os nossos mais idosos conterrâneos a contam e repetem há séculos.

Andavam dois pastorinhos, em tempo que não se pode precisar, a apascentar os seus rebanhos. Os cães que lhe serviam de protecção e auxílio, arremeteram subitamente contra um silvado que vicejava junto a uma fonte, hoje destruída pelo minar do tempo.

Admirados, ávidos de conhecer a causa do chamamento dos fiéis animais, os pastores dirigiram-se para o local. Ficaram estupefactos. Entre as duas silvas, brilhava uma pequena imagem da Virgem Santíssima, rodeada por uma auréola resplandecente. Maravilhados, correram à povoação a participar o caso. Não tardou que o povo organizasse uma procissão e conduzisse solenemente a radiante imagem para a Igreja da freguesia.

A Virgem imaculada, porém, como que querendo eternizar o aprazível lugar, desapareceu do templo, para pouco depois reaparecer no silvado. O povo, vista a vontade insuperável da Virgem Maria, resolveu construir-lhe uma pequena ermida no local do aparecimento, até que, em 1784, com o produto de avultadas esmolas que a Senhora recebia, se construiu a actual capela onde ainda hoje se venera com toda a pompa e luzimento, a milagrosa Virgem Imaculada Senhora da Póvoa.

A festividade realiza-se, no domingo, segunda e terça feira do Espírito Santo (Pentecostes). Foi uma das mais importantes de Portugal e inegavelmente a mais curiosa e característica da Beira Baixa.

 Etnografia da Beira – Dr. Jaime Lopes Dias, Volume I, página 21 – 1944

 

No sopé da Serra d’Opa foi construída, em tempos que não podemos precisar, uma ermida, sob a invocação de Nossa Senhora da Póvoa. Como a fundação de todas as ermidas, a Senhora da Póvoa tem a sua lenda.

Diz esta que, andando uns pastorinhos a apascentar as suas ovelhinhas, Nossa Senhora apareceu aos pequenos no meio de uns silvados. A notícia do milagre foi sabida em Vale de Lobo, povoação próxima do local da aparição. O povo trouxe-a em procissão para a Igreja. Nossa senhora voltou para o silvado. Logo se edificou uma pequena capela, que mais tarde foi substituída pela actual.

A romaria, a mais concorrida das Beiras, tem lugar no domingo, segunda e terça feira do Espírito Santo. A ela concorrem dezenas de milhar de romeiros.

Noutros tempos, e ainda não muito afastados, o arraial, em dias de romaria, tinha uma característica verdadeiramente poética, vindo-lhe esta característica das centenas de carros de bois, alegremente ornamentados com colchas de variadas cores, que, dispostas em arco, lembravam artísticos toucados. Com a concorrência dos automóveis, que são às centenas, quase desapareceu este alegre e garrido quadro. Os que vão a pé podem à vontade dançar no pó desses caminhos.

O arraial, ou melhor, o seu local, tem passado ultimamente por diversas transformações.

Construiu-se há pouco o recinto da capela, a avenida central, a estrada de circunvalação e novos telheiros ou alpendres para a venda de géneros no dia da romaria. O local tem água em abundância, muito procurada pelos que sofrem do estômago, intestinos e fígado. Em Penamacor faz-se já um largo consumo dela.

 O Concelho de Penamacor – José Manuel Landeiro – 1938

 

Santuário de Nossa senhora da Póvoa – Ano 2000

Não me vou alongar mais sobre o que já foi dito acima. No entanto, quero dizer que, hoje, em pleno ano 2000, o santuário sofreu diversas obras de melhoramento:

Foram colocadas torneiras de água potável espalhadas pelo recinto do Santuário.

Foram construídas instalações sanitárias.

Todo o recinto foi electrificado, dispondo de iluminação pública

 A capela encontra-se já iluminada com luz eléctrica

O recinto à volta da capela foi calcetado com cubos de granito.

A estrada de acesso ao santuário encontra-se asfaltada.

 A estrada de circunvalação também se encontra asfaltada

 As albergarias foram restauradas

 Foi construído um parque de merendas

No dia da romaria, que agora é na segunda feira do Espírito Santo, acorrem dezenas de milhar de romeiros, e milhares de automóveis, que chegam a ocupar a Estrada Nacional nº 233.

 A Festa é móvel e, como tal, acontece nos meses de Maio ou Junho.

 

 

Fotos

     

 Entrada do Santuário                                     Recinto do Santuário                                 Coreto do Santuário

     

         Parque de Merendas                                          Capela de N. Sª da Póvoa                              Capela de N. Sª da Póvoa

                           

          Albergarias                                                                   Altar de Santa Sabina                                 Altar de S. José

 

 

12 de Maio de 2008

No ano de 2008, a festa em honra de Nossa Senhora da Póvoa, teve lugar nos dias 11 e 12 de Maio.

Seguem-se algumas fotos da procissão:

     

     

     

     

     

     

   (Fotografias cedidas por José Ferreira)

 

 

A Comissão de Mordomos da Senhora da Póvoa é assim constituída a partir de 1 Maio de 2008:

Presidente - Padre César

Vogais:   Joaquim Manuel Carrilho Capelo

                João Anjos Leitão

                 Manuel Oliveira da Silva

                 Manuel Pires (Nobre )

 

 

Notícia publicada no Jornal "Reconquista" de Castelo Branco

Arquivo: Edição de 15-05-2008

 

As mordomas mostram as vestes da santa

Vale da Sr.ª da Póvoa celebrou romaria
A fé num desvão da Serra d´Opa

A Sr.ª da Póvoa é uma das romarias mais conhecidas da região e ainda hoje chama muita gente.

Filomena Mugeiro anda num virote há mais de uma semana. Com a festa de Nossa Sr.ª da Póvoa a aproximar-se no calendário sobra muito serviço para os mordomos. E esta habitante da aldeia de Vale da Sr.ª da Póvoa, no concelho de Penamacor, sente o esforço. “Há oito dias que lá andamos a trabalhar e ao fim da festa é quase outra semana a desfazer o que fizemos”. Na Alameda dos Balcões – a mais típica das ruas da aldeia – encontram-se a meio da tarde Filomena, Leopoldina e Conceição. Leopoldina Félix tem nesta rua a casa que a acolhe quando volta à terra. Natural de Santo Estêvão, uma aldeia do concelho do Sabugal a poucos quilómetros do Vale da Sr.ª da Póvoa, habituou-se desde miúda a rumar à localidade vizinha. Sete semanas após a Páscoa. “Quando era miúda vínhamos a pé lá da minha aldeia, nos carros de bois ou no burro, sempre a cantar a Sr.ª da Póvoa”. Os carros eram decorados com as melhores colchas e muitas flores.

Leopoldina acabou por casar com um habitante da aldeia e nem a vida construída na grande cidade a afasta das vindas à terra, ainda para mais quando a hora é de festa.

Mas voltemos ao passado. Quando era miúda, recorda, “vinha gente de todo o lado e oito dias antes estes olivais estavam cheios de gente que acampava e trazia o farnel”.

Conceição Leitão também vive em Lisboa vai para 40 anos. O regresso está sempre marcado para estes dias. “Não posso faltar, temos todos uma devoção que eu sei lá!”. Na mão de uma das mulheres estão as vestes com que a santa vai ser coberta. Uma de muitas, algumas das quais bem preciosas, confidenciam-nos.

Filomena Mugeiro é a única das três mulheres que vive na aldeia. Com ela são quatro os mordomos que prepararam a festa, que teve o seu auge na última segunda-feira. Este ano a romaria ficou marcada por ser a primeira após a morte do padre Chorão, que faleceu recentemente aos 88 anos. O jovem padre César assumiu pela primeira vez a tradição.

António Adelino, de 69 anos, não guarda muitas memórias do antigamente mas recorda que a romaria “era três dias, havia fogo e música”. Aos 87 anos Maria Julieta Martins lembra-se como eram divididos os dias. “Na segunda-feira à noite havia fogo e na terça-feira era a festa religiosa”. A importância da romaria era muita e atraia forasteiros dos concelhos à volta ou mesmo de Espanha. Muita gente e isso também tinha reflexo no negócio. “Havia feirantes que vinham oito dias antes”, recordam os habitantes da aldeia. O tempo dos carros de bois já lá vai mas a ermida continua no lugar que a música imortalizou: num desvão da Serra d´Opa, numa casa caleada.

Por: José Furtado

 

 

13 de Setembro de 2008

Foi colocada a imagem de Nossa Senhora da Póvoa, feita em granito, no óculo do Pórtico de Entrada para o Santuário de Nossa Senhora da Póvoa. A imagem tem 1,20 metros de altura e foi construída em Ponte de Lima.

Esta imagem custou 1 650 Euros e foi adquirida com dinheiro dos donativos  oferecidos a Nossa Senhora da Póvoa, desde Maio até à presente data.

 

 

19 de Abril de 2009

No Domingo, dia 19 de Abril pelas 15H30 deslocou-se ao Vale da Senhora da Póvoa,  o Sr. Bispo da Guarda D. Manuel Felício, a fim de celebrar missa no Santuário da Senhora da Póvoa e fazer a bênção do novo altar e  ambão.

No final houve um beberete, como já vai sendo hábito em ocasiões festivas.

Eis algumas fotos:

 

        

           

 

Festa de Nossa Senhora da Póvoa 2009 - Vídeo

Américo Valente – Pesquisas

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