
![]()


|
Etnografia da Beira – Jaime Lopes Dias,
Volume III, página 209
Restos da insociabilidade
primitiva, consequência da desigualdade de privilégios e honras, em todos os
tempos e ainda hoje se assinalam rivalidades, ódios e despeitos de raças, de
povos, e sobretudo de pequenos núcleos de povoamento.
De
tais desinteligências e disputas, e das brigas de pessoas e de localidades
deviam nascer como meio de combate (às vezes não de pequeno efeito) os apodos
grotescos, o ridículo, as alcunhas, tão bem aproveitadas na parte referente a
pessoas, por escritores na idade média em milhares de sátiras.
Procurando
coleccionar alcunhas referentes às povoações de aquém da serra até aos
confins do Zêzere, consegui recolher os que seguem:
Não
vejam os meus leitores, e muito menos os moradores das povoações que aqui vão
referidas qualquer intenção depreciativa. Regista-se tudo o que de bom ou de
mau corre, porque tal é a essência e a base da Etnografia.
Etnografia
da Beira – Dr. Jaime Lopes Dias, Volume I, página 65
Não há cantinho do
velho Portugal que não tenha, em velhos castelos roqueiros, em fragas inacessíveis
ou em ruínas de passado distante, lindas mouras de cabelos de ouro, de formas
esbeltas e de superior encanto, presas por eternos desígnios a uma eternidade
infinita. E é talvez por isso que, também no distrito de castelo Branco, entre
outros lugares, no sítio da Penha, no cimo da Serra d’Opa (Vale de Lobo) , lá
vivem elas, lindas entre as mais lindas, escondidas entre enormes penedias,
para, uma só vez em cada ano, di-lo o povo, na noite de S. João,
saírem a estender preciosas meadas de ouro que guardam e só entregarão
a quem, naquela noite, à meia noite, apanhar a semente do feto real. E como os
fetos abundam próximo, e como a vida é difícil para todos os que ganham com o
suor do seu rosto, muitos, de geração em geração, têm subido, encosta
acima, até ao cume da serra, a estender pelo chão lenços e toalhas, na ânsia
de acertar com a planta que deixará cair o precioso fruto.
E
usando e empregando superstições várias, chamando mesmo a cruz em seu auxílio
(alguns têm atado às quatro pontas dos lenços moedas de cruzado) muitos,
todos lá têm ido e de lá têm vindo sem o tesouro, desiludidos, e, mais que
desiludidos, amedrontados e confundidos.
É
que, ao cair da meia noite, sempre e inalteravelmente, ruge formidável
tempestade que ameaça subverter a própria terra! É que, àquela hora e
naquele local, os trovões são tantos e de tal ordem que o mais animoso
sucumbe! E assim, através das gerações, todos os que têm pretendido quebrar
o encanto, recolher as riquezas e libertar as eternas e lindas sacrificadas, têm,
na fuga, achado demasiado comprido, na noite de S. João, o caminho da Serra! E
por isso, lá entre os penhascos, junto de enormes penedias, continuam
encantadas, lindas, muito lindas mouras, de tranças de ouro, a guardar, pelos séculos
dos séculos, grandes e enormes riquezas.
As
lendas propagaram-se na Idade Média, com o florescimento da Alquimia. A
Alquimia é uma ciência esotérica que só é alcançada pelos Iluminados. Então,
com o fim de manterem secretos os seus conhecimentos, comunicavam-se entre si
através de lendas e histórias, as quais estavam repletas de palavras-chave, só
pelos alquimistas entendidas. Mas, todo o caminho é árduo e, para se atingir a
iluminação, terá de se buscar primeiro o conhecimento.
Assim,
podemos interpretar esta lenda, e tantas outras semelhantes, da seguinte forma:
Nesta
região dá-se aos dólmenes o nome de Mouras, Orcas, Mamôas, Arcas.
Assim,
as Mouras de que fala a lenda, não são mulheres árabes com cabelos de ouro.
O
Ouro representa alquimicamente, a LUZ, a SABEDORIA, o CONHECIMENTO, a PEDRA
FILOSOFAL.
O
feto real representa a iniciação, a semente da busca.
Assim,
temos.
As
Mouras da Serra D’Opa (e há lá algumas) guardam segredos ancestrais
esperando ser redescobertos.
Uma
vez descobertos esses segredos, atinge-se a Iluminação.
Etnografia
da Beira – Dr. Jaime Lopes Dias, Volume X, página 68
A
primeira, vestida de branco, dá a certeza, aos que têm a honra de a ver, que
estão a bem com Deus. São dos que Deus escolheu para si. A segunda, a Má
Hora, vestida de negro, é indício e anúncio de maldição ou castigo.
Quando
esta está para aparecer, geralmente de noite, à sua aproximação, põem-se os
cabelos das pessoas e dos animais em pé.
Isto
não é superstição. É uma realidade. Estes fenómenos já estão a ser
estudados pela Parapsicologia, Ovniologia e mesmo pela ciência dita oficial. O
fenómeno OVNI já está sendo estudado e já se conhecem racionalmente estes
casos.
Um
destes casos, passado nos arredores de Penamacor com um Guarda Fiscal, que se
viu defrontado com uma imagem holográfica (tal como nas aparições da Virgem),
relatou aos investigadores a sua experiência. Essa experiência do dito guarda
fiscal, está de acordo com o que acima foi descrito pelo Dr. Jaime e de acordo
com as histórias que ouvi contar em Vale de Lobo, quando era pequeno.
No
entanto, foi em Castelo Novo que descobri a natureza destes fenómenos, que se
passam vulgarmente na Serra da Guardunha. Foi aí que conheci um investigador
desses fenómenos, e me levantou o véu para o seu entendimento. Estes fenómenos
(só são fenómenos porque ultrapassam o nosso conhecimento) sempre aconteceram
em todo o mundo. A Bíblia documenta muitos casos destes.
Mas
não vou alongar-me mais aqui, porque este não é lugar próprio para o fazer.
A
água de Abril é água de cuco
Pelo
S. Martinho prova o teu vinho, larga
o soito e mata o porquinho
Não
compres a quem comprou
|
Américo Valente - Pesquisas