Américo Valente

 

 

JOSÉ LOPES DIAS

MÉDICO

05/05/1900 - 12/01/1976

 

 
 

GENTE ILUSTRE

JOSÉ LOPES DIAS  - ALGUNS DADOS

Lopes Dias é como uma jóia. Quanto mais tempo passa maior é e seu valor

 Trabalho do Companheiro Dias de Carvalho, apresentado no jantar do 29º Aniversário do clube, sobre a vida e obra do Dr. José Lopes Dias, 1º Presidente do Rotary Clube de Castelo Branco.

        

Na nossa região vivia-se, ainda, em plena era agrária. Tanto o modo de vida das pessoas como a sua actividade eram ditadas por uma rede apertada de obrigações baseadas nos costumes, nas tradições e em normas estritas. Esta vivência, “vigiada” pelas autoridades locais, criava dependência  social e económica que  impunha crenças, códigos de conduta e hábitos de vida. A grande maioria da população era carente das comodidades mínimas de habitação, vestuário e alimentação. Vegetava.
Todo este ambiente cerceava o espírito de iniciativa, a mobilidade e a própria liberdade das pessoas.

O ensino não era estimulado. O que  torna um país rico é uma população evoluída, mas o ensino era encarado como um risco para o Poder. Este receava que a instrução lhe fizesse  perder alguma influência. O próprio Salazar dizia, nos seus discursos, que ao português bastava ter conhecimentos da leitura, escrita e das contas.
Procurava manter-se o culto do amo e do senhor, tentando a continuidade de um certo feudalismo.
A ignorância perpetuava, assim, o ciclo de marginalização.

A industrialização que emergia na Europa contribuía decididamente para alterar, em muito, a vida dos camponeses. Na nossa região e em muitas outras do nosso país ela não surgia. A resposta foi a emigração. Creio que esta teve para as nossas populações  as mesmas consequências que a industrialização teve para as outras.

Foi neste ambiente histórico que em 5 de Maio de 1900 nasceu,  em Vale de Lobo, hoje Vale da Senhora da Póvoa,  José Lopes Dias ou  José Lopes Dias Júnior  primogénito de José Lopes Dias casado, em segundas núpcias, com Carlota Leitão Barreiros Dias. Teve 4 irmãos: Jaime filho da primeiro casamento, António, Joaquim e Victor filhos do segundo casamento.
O pai era professor do Ensino Primário e a mãe dedicava-se à casa e aos filhos.
Cursou o ensino liceal em Castelo Branco e Coimbra onde terminou o curso de medicina em 1923.

Casou em 6 de Setembro de 1926 com Maria do Carmo Pissarra Xavier tendo tido dois filhos: José e António. Exerceu a medicina em Penamacor, fixando-se em Castelo Branco em 1928 onde continuou a exercê-la com igual   mestria. Em Setembro do mesmo ano foi admitido como médico da Misericórdia tendo sido seu  Director Clínico por vários anos.

José Lopes Dias foi um homem apaixonado pelo ensino, educação, saúde, investigação, regionalismo, bem como pela  sua região.
Espírito de cientista, artista e humanista,  soube aliar à sua actividade prática de médico, um laborioso trabalho de investigação.
Dedicou-se aos mais variados estudos sobre a ciência médica, história da medicina e, ainda, a um memorialismo literário digno de nota. Os seus ensaios, publicados em revistas várias, foram muitos deles organizados em separatas, como por exemplo:

Alguns Aspectos Sanitários de um distrito rural”(1948), separata do Boletim do Instituto Superior de Higiene Doutor Ricardo Jorge;

 “Alguns aspectos da função médico escolar na Universidade, nos Liceus e nas Escolas Primárias” (1941), separata da revista Clínica, Higiene e Hidrologia;

 “Elementos de História da Protecção aos Estudantes no Século XVI. A confraria de caridade dos estudantes” (1942), separata do Boletim da Direcção Geral de Saúde Escolar;

 “As Misericórdias e Hospitais da Beira Baixa” (1938),  separata também de Clínica, Higiene e Hidrologia; “Albergarias da Beira Baixa” (1946), separata da Acção Médica;

Cartas  de Consolação do Cardeal de Alpedrinha ao Rei D. João II, à Rainha D. Leonor e à Princesa-viúva, D. Isabel, no falecimento do Príncipe D. Afonso”, separata de Acção Médica (1959);

Dois documentos inéditos sobre o poeta João Roiz de Castel-Branco” (Coimbra, 1957);

Vários estudos sobre João Rodrigues de Castelo Branco, sua obra e biografia, especialmente a organização e prefácio do livro intitulado Homenagem ao Doutor João Rodrigues de Castelo Branco (Amato Lusitano ). Neste livro reuniu importantes trabalhos, alguns dos quais  publicados no estrangeiro que foram devidamente traduzidos para português. Termina o livro com a Compilação Bibliográfica do homenageado. Acrescentamos ainda os muitos artigos publicados na revista Estudos de Castelo Branco, de que José Lopes Dias foi fundador e director, além de comunicações em colóquios e congressos a nível nacional e internacional, que seria fastidioso enumerar, mas (para quem se interesse), foram coordenados, em  sua homenagem, em edição do Departamento de Extensão Cultural da Biblioteca Municipal de Castelo Branco, em 1990.

 O  seu cunho regionalista está  bem expresso na fundação da  Acção Regional, semanário, cujo primeiro número saiu a 11 de Novembro de 1924, encontrando-se  o ilustre homenageado entre os seus muitos fundadores. Suspenso em 1928, o semanário reapareceu com  nova direcção. José Lopes Dias é o seu redactor principal, João Matilde Xavier Lobo, director e editor.  Este semanário tinha como finalidade “pregar a união de todos os albicastrenses na defesa das aspirações comuns”, escreveu Mourato Grave, secretário de redacção. Vem a propósito referir que a Farmácia Grave era o cenáculo cultural de então . Ali se reunia, além de José Lopes Dias,  João Matilde Xavier Lobo, Reitor do Liceu, Mourato Grave, proprietário da farmácia, Diogo Correia, advogado, José Sena Esteves, José de Sousa Vieira, entre outros.

Em 1929 contribui para a    organização do IV Congresso e Exposição Regional das Beiras, que contou com a presença do Chefe do Estado. Consagra-se então  definitivamente o movimento regionalista, iniciado anos antes e que o nosso homenageado serviu com a maior dedicação. Com efeito, o regionalismo é uma das  características  que sobressai na maior parte da sua obra, bem como na de seu irmão Jaime Lopes Dias.


José Lopes Dias, homem do seu tempo, foi observador atento da conturbada situação política que se seguiu à implantação da República e em Coimbra, onde terminou o curso em 1923, foi, certamente, testemunha  interessada em todo este processo político. Frequentou depois os Hospitais de  Paris e aí residia em 1924, quando a III República  Francesa  se debatia com enormes contradições internas e dificuldades financeiras.


A esta vivência política de Coimbra e Paris juntou-se a experiência do seu trabalho como médico, em Penamacor e Castelo Branco. Assim desenvolve o seu ideal republicano através de um humanismo que orientou toda a sua actividade com  preocupações  sociais , de ensino e educação, dedicando-se simultaneamente às  actividades de - historiografia e memorialismo - contribuindo para o desenvolvimento cultural e social de Castelo Branco e da respectiva região, pela via do Regionalismo, então muito em voga.

 Mas a sua obra, embora com forte cunho regionalista, não se encerrou nestas fronteiras. Integra-se também no  nacionalismo coincidente com o de várias tendências sócio-literárias e mesmo políticas, que vinham já do final do séc. XIX  com a comemoração do Centenário de Camões e se acentuaram com o choque sofrido pelos portugueses, sem distinção de classes ou partidos, aquando do Ultimato inglês de 1890, que nos impôs  a perda das terras do “mapa cor-de-rosa,” que ligavam Angola a Moçambique. Talvez tenha sido  este o acontecimento que mais contribuiu para a proclamação da República, vinte anos depois. Desencadeou, entre os portugueses, grande sentimento de patriotismo, de que andávamos muito arredados, pois mesmo os intelectuais de então, estavam mais preocupados em imitar os ventos vindos da Europa, sobretudo de França.


Debruçando-nos, assim, sobre a ideologia que marca a obra de José Lopes Dias, pensamos poder integrá-la, em grande parte, na da “Renascença Portuguesa”, - associação cultural, formada em 1912, de que fizeram parte grandes intelectuais como Jaime Cortesão, Leonardo Coimbra, Teixeira de Pascoaes, João de Barros, Afonso Lopes Vieira, António Sérgio, Raúl Proença, António Correia de Oliveira, Augusto Casimiro, entre outros -. Este grupo volta-se para o passado procurando nele as fontes autênticas da nacionalidade, a inspiração para um futuro renovado, onde os portugueses seriam educados com os seus valores e características, sem desprezar, contudo, toda a evolução técnico-científica que então se vivia na Europa, porém,  sem se desaculturarem.


A “Renascença Portuguesa” tem como objectivo levar a cabo um programa de educação e cultura  com base iminentemente nacional. É criada, na cidade do Porto, uma Universidade Popular onde são ministrados vários cursos. Organizados concertos e outras actividades destinadas à educação e formação de adultos.

É da cisão deste grupo que em 1921 nasce a revista Seara Nova, levada a cabo por António Sérgio, Jaime Cortesão e Raúl Proença, revista de índole fundamentalmente doutrinária.  Promove campanhas de doutrinação e de defesa da democracia, visa a formação de um escol cultural capaz da reforma das mentalidades. José Lopes Dias colaborou nesta revista e foi, seguramente, um dos seus fiéis leitores.

Jaime Cortesão, médico, (actividade que pouco exerceu)  foi um republicano convicto e mestre de muitos dos intelectuais do seu tempo. Foi um dos mais altos valores da historiografia portuguesa moderna. Também Lopes Dias não deixou de expressar a admiração que sentia por ele, aspecto que, certamente, muito influenciou a sua  obra. Com efeito vê-mo-lo a promover, na linha de Cortesão, uma abrangente protecção à  criança, sua educação, ao mesmo tempo que se dedicava  à historiografia, nas horas livres, como já frisámos.

Num artigo publicado na revista Atlântida (nº11, Setembro de 1916), Jaime Cortesão afirmou  que para se fazer uma boa e bela obra de educação  pela história nacional, em que os sentidos e faculdades da criança, a sua pequena e inquieta vida se prendessem, “era necessário não só o talento e o tacto dum educador e dum artista, mas uma grande vontade e força de inovação, capazes de vencer a pantanosa e rotineira indiferença geral”. É esse talento e essa capacidade de inovação que caracterizam as realizações de Lopes Dias.

Este dizia “a criança deve desenvolver harmoniosamente o seu corpo, a inteligência, a actividade, a criatividade e a sensibilidade”. Nesta linha impulsionou em Castelo Branco o funcionamento do Jardim Escola João de Deus e o Lactário contribuindo decididamente para a  melhoria da saúde materna infantil, pois é preciso começar por esta díada, tendo em vista a construção de um mundo melhor. O funcionamento destas estruturas revestiu-se de tal importância que reduziram  drasticamente a mortalidade infantil, na área de Castelo Branco.


Fundou a Escola de Enfermagem ,que hoje tem o seu nome, pois sentia bem quanto era necessário ensinar, educar e dispor de técnicos para esta grande obra que consistia simultaneamente elevar o nível de saúde das populações e tratar os doentes.

Passou da clínica essencialmente curativa para a preventiva ocupando o lugar de Delegado de Saúde. A Saúde Publica fascinava-o pois sentia  profundamente quanto havia a fazer na  prevenção das doenças, educação para a saúde, vigilância, erradicação das doenças sociais e, volto a referir, na Saúde Materno Infantil. Com os meios disponíveis combate os doenças, então endémicas e graves, como Trascoma, Varíola, Febre Tifóide,  Bócio que encontrámos na grande  maioria da população de três concelhos do nosso distrito, para além de muitas outras que seria fastidioso enumerar. Para terem uma noção de quanto era difícil, por vezes, realizar informo que o Poder Político de então demorou cinco anos a tomar a decisão, extremamente simples, de administrar sal iodado, nas zonas endémicas do Bócio.

Tinha plena  consciência de que bons quadros de Saúde Pública e  também de Serviço Social são indispensáveis ao êxito do desenvolvimento humano. Basta ler duas das conferências - “Ao Redor do Serviço Social”- que proferiu na Covilhã e em Castelo Branco, em 1932. Na primeira, a convite  dos operários que formaram, naquela cidade a Associação Mutualista, traça um largo panorama do que entende por Assistência Social e das tarefas que lhe cabem. São tantas e tão vastas que, citação sua “cada um de nós deve atribuir-se uma função a desempenhar em seu benefício  e que o primeiro esforço a realizar deve ser, incontestavelmente, no sentido da instrução e da educação, pois é por seu intermédio que os homens se aproximam, destruindo as barreiras e apagando as distância que os separam”. Incentiva a assistência a levar por diante a  sua Associação Mutualista.  Estão no caminho certo, afirma, pois compreenderam as vantagens associativas. Realizaram a parábola dos vimes, citação sua “aqueles vimes frágeis que um pai pediu a seus filhos, a fim de lhes demonstrar que não valendo nada um a um, se reunidos todos seriam inquebrantáveis, invencíveis...”

Da mesma forma, a conferência proferida em Castelo Branco numa festa de Caridade em benefício do Instituto do Cancro e realizada no Cine-Teatro, é reveladora, através da sua ideologia e cultura, do grande homem que foi José Lopes Dias. Começa pela afirmação de esperança: “Estamos no século da Assistência...” Traça depois alguns apontamentos históricos sobre a forma como a Assistência foi praticada através dos tempos, enfatizando o papel que nela desempenharam as Ordens Religiosas. Após  considerações várias sobre a Assistência e da necessidade de acolher e cuidar dos tuberculosos, enumera descrevendo todos os estabelecimentos de Assistência que em Portugal considera modelares, e uma vez mais, refere os Jardins Escola João de Deus, preconizados também pelos intelectuais da “Renascença Portuguesa”.

Esclarece ainda que, ao lado do aspecto humanitário e sentimental e a par dos sentimentos generosos e de solidariedade humana, a assistência tem o seu lado económico e material, uma vez que o homem representa também um capital produtivo que conta na riqueza do país e que é preciso valorizar. Nessa medida, sublinha, mais uma vez, a importância  do desenvolvimento da criança.. Por fim, faz algumas considerações sobre o cancro e o desconhecimento de suas causas.  Acrescenta algumas normas de higiene corporal e alimentar que devem ser observadas, termina com um apelo à boa vontade dos seus ouvintes a fim de colaborarem com generosidade no movimento de alcance social que é o combate ao cancro.

Lopes Dias sentia bem que a riqueza de um país depende de uma população evoluída ao nível da cultura,  ensino, educação,  saúde, desenvolvimento social e económico. Assim as preocupações nestas áreas são uma das características que atravessavam totalmente a sua personalidade.

É na continuação do seu modo de  pensar e  de toda a actividade anteriormente realizada, que no final da era de 60, entrega ao Primeiro Ministro de então, Prof. Marcelo Caetano, quando da visita a esta cidade, um relatório defendendo a criação de uma Faculdade de Medicina em  Castelo Branco. Neste pedido integra-se: Ensino, Educação,   Saúde e algum regionalismo, princípios que ditaram o seu modo de estar na vida.

Personalidade exuberante, com certo  fascínio e espírito agudo, soube viver dignamente a sua vida. Homem de ideal e de realizações, soube imprimir a  toda a obra o seu cunho social e cultural, a par duma gentileza e dum trato excepcionalmente fino.

Os princípios defendidos e praticados por José Lopes Dias  são considerados, na vida moderna, alicerces indiscutíveis do desenvolvimento.

Sentiu bem que o amanhã se organiza hoje.

(Fernando Dias de Carvalho, 2000)

        

 

ESCOLA DE ENFERMAGEM "DR. JOSÉ LOPES DIAS"

CASTELO BRANCO

HISTÓRIA

Corria o ano de 1948. O Dr. José Lopes Dias, médico e eminente sanitarista, profundamente preocupado com as graves carências de recursos de saúde locais e regionais mas acima de tudo, fortemente empenhado na resolução dessas dificuldades, fundou a Escola de Enfermagem de Castelo Branco, com a finalidade de superar as carências em enfermeiros nesta região do interior do país.

A Escola de Enfermagem de Castelo Branco teve os seus primeiros estatutos aprovados em 20 de Maio de 1948, pelo então Subsecretário de Estado da Assistência Social, nos termos dos quais se destinava a “...habilitar indivíduos para o exercício das profissões de enfermeiros, de auxiliares de enfermagem e de auxiliares sociais” gozando para isso, de autonomia técnica e administra­tiva. Foi com base naquele documento que a Escola iniciou os cursos de Auxiliares Sociais, de Auxiliares de Enfermagem e de Enfermagem.

Sem instalações próprias, a Escola de Enfermagem de Castelo Branco iniciou a sua actividade lectiva no edifício onde actualmente funciona o Jardim-escola João de Deus. Os primeiros cursos leccionados na Escola foram de “Auxiliares Sociais” apenas durante três anos, entre 1948 e 1951; de “Auxiliares de Enfer­magem” a partir de 1949 e de “Enfermagem” a partir de 1950.

Em 20 de Junho de 1963 foram inauguradas as suas actuais instalações, que lhe permitiram melhorar o seu desempenho como instituição particular. Apesar da manifesta falta de espaço e de condi­ções técnicas para um ensino de qualidade, ainda hoje funciona nas mesmas instalações que são propriedade de uma instituição particular de solidariedade social.

Em 1973 iniciou-se um novo período na vida da Escola com a sua passagem a instituição oficial (Decreto-Lei nº 393/73 de 4 de Agosto). Alterou-se a sua denominação, de Escola de Enfer­magem de Castelo Branco para Escola de Enfer­magem do Dr. Lopes Dias, prestando-se assim justa homenagem ao seu fundador.

A partir dessa data, a Escola foi gerida por uma Comissão Insta­ladora, cujo esforço conduziu à melhoria das condições de trabalho de funcionários e docentes, bem como da qualidade dos técnicos de saúde que aí se formavam. Tal situação conduziu a um aumento progressivo do número de funcio­nários e de alunos, traduzido naturalmente no número de profissionais de enfermagem que anualmente eram formados e lançados no mercado de trabalho.

Em 1988 o ensino de enfermagem sofreu alterações, tendo sido integrado no sistema edu­cativo nacional, ao nível do ensino superior politécnico. Em 1989 foi integrada na rede de Escolas Superiores de Enfermagem (Portaria nº 821/89 de 15 de Setembro) e passou a denomi­nar-se Escola Superior de Enfermagem do Dr. Lopes Dias.

Em 18 de Abril de 1990 co­meçou a leccionar o seu primeiro Curso de Bacharelato em Enferma­gem, (Portaria nº 296/90 de 17 de Abril). Num esforço significativo para fazer face às graves carências de enfermeiros duplicou o número de alunos, o que veio a tornar ainda mais exíguas instalações que já eram precárias. Fizeram-se algumas alterações arquitectónicas no edifício escolar numa tentativa de aproveitamen­to de espaço, mas este continuou a ser insuficiente para as necessidades e objectivos a que a escola se propunha.

Em 1994 foram criados os Cursos de Estudos Superiores Especializados em Enfermagem (Portaria nº 239/94 de 16 de Abril) que substituindo os extintos Cursos de Especialização, pas­saram a assegurar formação especializada e a conferir o grau de licenciado em Enfermagem. Sem instalações adicionais e com o mesmo corpo docente, a Escola fez mais um esforço para poder oferecer aos enfermeiros da região a oportunidade de se valorizarem profissionalmente, obtendo formação especializada.

No ano lectivo de 1996/97 iniciaram-se o Curso de Estudos Superiores Especializados em Enfermagem na Comunidade (Portaria nº 1140/95 de 15 de Setembro), e em 1997/98 o Curso de Estudos Superiores Espe­cializados em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica (Portaria nº 397/96 de 21 de Agosto) e o Curso de Estudos Superiores Especializados em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica (Portaria nº 491/96 de 13 de Setembro).

O ano de 1999 marca o início de uma nova etapa no ensino de Enfermagem com a modificação do perfil académico de formação de enfermeiros (Decreto-Lei nº 353/99 de 3 de Setem­bro e Portarias nº 799-D/99, nº 799-E/99, nº 799-F/99 e nº 799-G/99 de 18 de Setembro).
O grau de bacharel, atribuído no final de um plano de estudos com a duração de três anos é extinto e substituído pelo grau de licenciado, obtido após a frequência de um plano de estudos com a duração de quatro anos. No ano lectivo de 1999/00 iniciou-se nesta Escola a leccionação do primeiro curso de Licenciatura em Enfermagem (Portaria nº 434/2000 de 17 de Julho alterada pela Portaria nº 830/00 de 22 de Setembro).

Com a criação da licenciatura em Enfermagem e ante a necessidade de dar aos alunos que à data frequentavam o 1º, 2º e 3º anos do curso de Bacharelato em Enfermagem uma oportu­nidade de obterem o grau de licenciado, foi criado o Ano Comple­mentar de Formação em Enfermagem (Portaria nº 799-F/99 de 18 de Setembro) que vigorou por um período de três anos lectivos, de Setembro de 1999 até Julho de 2002 (Portaria nº 434/00 de 17 de Julho, posteriormente alterada pela Portaria nº 830/2000 de 22 de Setembro, novamente alterada pelo Despacho nº 6083/2005 de 21 de Março).

Para os enfermeiros detentores do grau de bacharel ou equivalente legal, foi criado o Curso de Complemento de Formação em Enfermagem (Portaria nº 799-E/99 de 18 de Setembro) com a duração de um ano lectivo e com o objectivo de re-qualificar os bacharéis em Enfermagem con­ferindo-lhes o grau de licenciado. Em Janeiro de 2000 iniciou-se o primeiro Curso de Complemento de Formação em Enfermagem (Portaria nº 113/00 de 26 de Fevereiro).

O crescimento da população estudantil, decorrente do aumento da duração do curso de Enfer­magem levou a que pela primeira vez, os espaços disponíveis na Escola fossem insuficientes. Esta dificuldade foi ultrapassada com a utilização de uma sala de aulas em instalações da Escola Superior Agrária temporariamente cedidas à Escola Superior de Artes Aplicadas, mas que ainda não estavam a ser usadas.

Em 2001 a Escola foi integrada no Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB) sob tutela exclusiva do Ministério da Educação (Decreto-Lei nº 99/01 de 28 de Março) e convertida em escola superior de saúde com a denominação de Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias (Portaria nº 693/01 de 10 de Julho). Ainda no mesmo ano (Portaria nº 692/01 de 10 de Julho) foi autorizada a leccio­nar dois novos cursos: as licenciaturas em Análises Clínicas e de Saúde Pública (Portaria nº 35/02 de 9 de Janeiro, alterada posteriormente pelo Despacho nº 6084/2005 de 21 de Março) e em Fisioterapia (Portaria nº 69/02 de 18 de Janeiro, alterada posteriormente pelo Despacho nº 6081/2005 de 21 de Março) iniciados no ano lectivo de 2001/02.

Com a finalidade de acolher os novos cursos e de superar a insuficiência de espaço que já se vinha fazendo sentir no edifício situado no Largo Dr. José Lopes Dias, onde a Escola funciona desde 1963, o Instituto Politécnico de Castelo Branco alugou as instalações de um antigo palacete na Rua de S. Sebastião. Neste edifício esteve alojada durante alguns anos uma instituição de ensino superior privada, que para o efeito havia efectuado obras de melhoramento e adaptação às actividades lectivas, nomeadamente a conversão das suas divisões em salas de aula e gabinetes para docentes, bem como a construção de novas salas, de um auditório e de um laboratório, em instalações anexas ao antigo palacete.

Em 2002 e na sequência das novas regras a que fica subordinado o ensino de enfermagem (Decreto-Lei nº 353/99 de 3 de Setem­bro) foi publicado o Regulamento Geral dos Cursos de Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem (Portaria nº 268/02 de 13 de Março). Atenta às necessidades de saúde locais e regionais, a Escola propôs a leccionação de um curso de Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem de Saúde Materna e Obstetrícia (Portaria nº 864/2004 de 19 de Julho) cuja leccionação se iniciou em Outubro de 2004.

Em 2004, e de acordo com o previsto no plano de desenvolvimento da Escola, foram propostos e aprovados os cursos de licenciatura em Radiologia (Portaria nº 841/2004 de 16 de Julho, alterada pelo Despacho nº 6082/2005 de 21 de Março) e de licenciatura em Cardiopneumologia (Portaria nº 841/2004 de 16 de Julho, alterada pelo Despacho nº 6216/2005 de 22 de Março), ambos iniciados no ano lectivo de 2004/05.

Ainda no ano de 2004, sob proposta conjunta da Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias e da Escola Superior de Gestão, foi aprovado o Curso de Pós-Graduação em Gestão em Saúde, publicado em DR nº 166 – 2ª série (Despacho nº 14.109/2004 de 16 de Julho) tendo sido leccionado durante o ano lectivo de 2004/05.

Em 2005 foi proposta e autorizada a leccionação de um curso de pós-graduação em Cuidados Paliativos publicado em DR nº 169 – 2ª série (Despacho nº 19.176/2005 de 2 de Setembro) a iniciar e concluir durante o ano lectivo de 2005/06.

Durante o ano de 2005 iniciou-se a construção das novas instalações da Escola com vista a superar todas as dificuldades resultantes actual da falta de espaço. Situadas no Campus da Talagueira que abrange também a actual Escola Superior de Tecnologia, as novas instalações da Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias partilharão com a Escola Superior de Artes Aplicadas o mesmo projecto arquitectónico, da autoria do arquitecto Filipe Oliveira Dias.

Em 22 de Setembro de 2008 iniciaram-se as aulas de todos os cursos nas novas instalações do Bloco Pedagógico da Escola Superior de Saúde – Campus da Talagueira que viriam a ser inauguradas em 18 de Maio de 2008 por S. Exa. o Ministro da Ciência Tecnologia e Ensino Superior, Prof. Doutor José Mariano Gago.

Durante o ano lectivo de 2008/09 iniciou-se a leccionação do curso de licenciatura em Enfermagem com o Plano de Estudos adequado ao processo de Bolonha (Despacho n.º 8459/2008 – DR 2ª Série – Nº57 de 20 de Março) o mesmo acontecendo no ano lectivo de 2009/10, aos cursos de Análises Clínicas e de Saúde Pública (Despacho n.º 27409/2008 – DR 2ª Série – Nº208 de 27 de Outubro), Cardiopneumologia (Despacho n.º 27629/2008 – DR 2ª Série – Nº209 de 28 de Outubro), Fisioterapia (Despacho n.º 27408/2008 – DR 2ª Série – Nº208 de 27 de Outubro) e Radiologia (Despacho n.º 27407/2008 – DR 2ª Série – Nº208 de 27 de Outubro).

Desde a data da sua fundação, em 1948 até ao fim do ano lectivo de 2007/08 esta Escola já formou um total de 3733 profissionais de saúde:
 

 
40

Auxiliares Sociais

 
       
 
1133

Auxiliares de Enfermagem

 
 
150

Enfermeiros com o Curso de Promoção para Enfermeiros de 3ª classe

 
       
 
196

Enfermeiros com o Curso Geral de Enfermagem

 
 
400

Enfermeiros com o Curso de Enfermagem Geral

 
       
 
115

Enfermeiros com o Ano Complementar de Formação em Enfermagem

 
 
289

Enfermeiros com o Curso de Complemento de Formação em Enfermagem

 
 
 
 
 
40
Enfermeiros com Cursos de Estudos Superiores Especializados em Enfermagem (CESE), dos quais:
 
 
14 com CESE em Enfermagem na Comunidade  
 
 
11 com CESE em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica  
 
 
15 com CESE em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica  
 
 
   
 
99
Bacharéis em Análises Clínicas e de Saúde Pública  
 
28
Bacharéis em Cardiopneumologia  
 
406
Bacharéis em Enfermagem  
 
108
Bacharéis em Fisioterapia  
 
37

Bacharéis em Radiologia

 
 
 

 

 
 
99

Licenciados em Análises Clínicas e de Saúde Pública

 
 
16

Licenciados em Cardiopneumologia

 
 
380

Licenciados em Enfermagem

 
 
117

Licenciados em Fisioterapia

 
 
13
Licenciados em Radiologia  
       
 
25

Pós-graduados em “Enfermagem de Saúde Materna e Obstetrícia”

 
 
12

Pós-graduados em “Gestão em Saúde”

 
 
30

Pós-graduados em “Cuidados Paliativos”

 
 

Memórias

7 de Maio de 1955

Justa Homenagem ao sr.Dr.José Lopes Dias


Celebrou o seu 25ºaniversário, no dia 3 de Maio, o Dispensário de Puericultura Dr. Alfredo Mota, e alguns Amigos da simpática instituição quiseram solenizar a data com justa homenagem ao seu fundador, o sr. Dr. José Lopes Dias, inaugurando numa das salas um medalhão em bronze com o seu busto, medalhão este que foi descerrado pela menina Maria Bárbara Proença Abrunhosa.

 

Estátua (busto) em homenagem ao

Dr. José Lopes Dias Júnior

29 de Outubro de 2009

À semelhança do que já foi feito em relação ao Professor José Lopes Dias e ao Dr. Jaime Lopes Dias, ambos com estátuas no Vale, seria bom não esquecermos o Dr. José Lopes Dias, que muito contribuiu para a saúde pública nesta aldeia, tendo criado e mantido sempre o Centro de Saúde fornecido de medicamentos. Se o Dr. Jaime deu a mão a muita gente conseguindo empregos em Lisboa, não devemos esquecer que o Dr. José Lopes Dias também o fez, facilitando a formação da maioria dos enfermeiros, conseguindo estes uma melhoria de vida.

É especialmente aos enfermeiros do Vale que dirijo estas palavras a fim de através da Junta de Freguesia, ser colocada uma estátua no actual Centro de Saúde.

Se o povo deu donativos para as estátuas existentes, certamente voltará a fazê-lo de novo para esta.

No próximo dia 5 de Maio de 2010, o Dr. José Lopes Dias Júnior, se fosse vivo, comemoraria cento e dez anos de idade.

Seria uma boa data para lhe prestar homenagem.

Que acham? Vamos todos contribuir?

(Américo Valente)

07 de Dezembro de 2009

Junta de Freguesia de Vale da Senhora da Póvoa

Estátua/Busto em homenagem ao Dr. José Lopes Dias Júnior

Em reunião da Junta de Freguesia foi decidido apoiar a iniciativa lançada por Américo Valente de se fazer uma estátua/busto dedicada ao Dr. José Lopes Dias e desde já se prontifica a colaborar.

Assim, informa que já está apta a receber os donativos para o efeito, devendo estes ser entregues nesta Junta, às terças e quintas feiras, das 18 às 19 horas.

Foi aberta uma conta bancária na Caixa Geral de Depósitos - Penamacor para o efeito, onde serão depositados os donativos recebidos e  posteriormente foi publicado o nº da Conta, NIB, IBAN e BIC para quem quiser contribuir por transferência bancária, tanto em Portugal como no estrangeiro.

A estátua/busto será implantada junto ao actual Centro de Saúde.

Esta situação foi colocada à Assembleia de Freguesia, que reuniu no passado dia 4 de Dezembro, e esta não levantou qualquer objecção e apoiou a iniciativa.

O Presidente da Junta

António Reis

08 de Maio de 2010

Vale da Senhora da Póvoa

Inauguração da Estátua em homenagem ao Dr. José Lopes Dias

Foi hoje inaugurada a estátua em homenagem ao Dr. José Lopes Dias. As cerimónias começaram às 11H00 com a celebração de uma missa especial em que estiveram presentes algumas dezenas de descendentes do professor José Lopes Dias. A missa foi celebrada pelo padre César Nascimento. Terminada a missa, o povo seguiu para o actual Centro de Saúde, local onde se encontra implantada a estátua.

Quando a população aqui chegou, pelas 12H00, foi descerrada a imagem que se encontrava coberta com a bandeira da Junta de Freguesia pelos Dr. José Lopes Dias, e Engº. António Manuel Lopes Dias, ambos filhos do homenageado, e pelo presidente da Câmara de Penamacor, Dr. Domingos Torrão,  e procedeu-se de seguida à bênção da mesma.

Seguidamente, o Dr. José Lopes Dias proferiu o seguinte discurso:

Na qualidade de ser o mais velho dos Lopes Dias, com certeza por misericórdia divina e graça da Senhora da Póvoa, cabe-me a honrosa tarefa de em nome da minha Família, agradecer a todos quantos contribuíram e participaram nesta homenagem a meu Pai, Dr. José Lopes Dias. Agradecer em primeiro lugar à população de Vale da Senhora da Póvoa, nas pessoas dos Presidente da Junta de Freguesia, Dr. António Reis Bogas, da Associação dos Amigos de Vale da Senhora da Póvoa e do Sr. Américo Valente. Agradecer igualmente ao Reverendo Pároco da freguesia pela sua contribuição, bem como aos representantes do Município de Penamacor, da Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias do Instituto Politécnico de Castelo Branco, aos Senhores Enfermeiros ex-alunos da Escola de Enfermagem de Castelo Branco e aos Amigos que quiseram acompanhar-nos neste dia.

Meu pai nasceu nesta povoação em 5 de Maio de 1900 e faleceu em Castelo Branco em 1976. Passou a sua infância aqui, onde aprendeu as primeiras letras, continuou os estudos em Castelo Branco e Coimbra, onde se doutorou em Medicina e Cirurgia em 1923. Não aceitou um convite para Assistente da Faculdade de Medicina. Frequentou durante mais de um ano os Hospitais de Paris, numa época em que esta cidade era a capital europeia da cultura e teve a oportunidade de conhecer personagens da Medicina, das Artes e da Cultura de renome mundial.

Os novos conhecimentos e atitudes que adquiriu na cidade-luz influenciaram de forma decisiva as suas futuras actividades médicas e sociais, nomeadamente em termos de conceitos. Foi com certeza um dos pioneiros e divulgador no nosso país do conceito e prática da Medicina Social, que aplicou nas suas actividades nos serviços que criou e em que trabalhou. Julgo que influenciou a reorganização dos serviços e das prestações em Saúde a nível nacional.

Mas as suas actividades não se limitaram à Saúde e à Área Social. Desempenhou múltiplas e variadas acções como jornalista, escritor, historiador, conferencista, professor, também como conversador e até como agricultor.

Fundou e participou na criação de Jornais, do Dispensário de Puericultura, Colónia Marítima, Jardim Escola de João de Deus, Delegação da Cruz Vermelha em Castelo Branco, da Revista de Estudos de Castelo Branco. Recebeu numerosas distinções como as medalhas de ouro do Ministério da Saúde e da Cruz Vermelha, o diploma de Cidadão Honorário  de Castelo Branco e foi sócio da Academia de História de Lisboa.

Permitam-me que aqui e neste dia recorde a minha mãe, Maria do Carmo, que foi uma esposa que sempre acompanhou e colaborou em todas as circunstâncias com o meu pai.

Vou terminar estas breves palavras por referir um aspecto importante na vida do meu Pai, que foi a forma afectiva como sempre se referia à sua terra e aos seus conterrâneos, afectividade que se manifestava de várias formas, desde as consultas médicas graciosas quando aqui vinha, à disposição para ajudar os seus jovens a frequentarem a Escola de Enfermagem que fundou e dirigia em Castelo Branco.

A todos BEM-HAJAM.

(José Pissara Xavier Lopes Dias - Professor Catedrático Jubilado da Universidade Nova de Lisboa)

Terminado o discurso do Dr. José Lopes Dias, tomou a palavra o Dr. António Reis Bogas, que proferiu o seguinte discurso:

Neste dia de festa para todos nós, quero antes de algo mais agradecer nesta homenagem, que hoje o povo do Vale da Senhora da Póvoa presta ao Dr. José Lopes Dias, a presença do Senhor Presidente da Câmara de Penamacor, Dr. Domingos Torrão, do Senhor Vice Presidente da mesma, Dr. António Cabanas e da Sra. Vereadora, Dra. Ilidia Cruchinho.

É para nós autarcas e para o povo da nossa terra uma honra tê-los entre nós.

Agradecer também a presença dos filhos do homenageado e dos restantes familiares e amigos e dizer-lhes que o povo desta terra tem muito orgulho e que se revê na família Lopes Dias.

Prestar esta simples homenagem a um Homem, que já no seu tempo, tinha uma visão daquilo que se passa nos nossos dias, é significado de que a história se faz e que muitas das vezes se torna eficaz.

O Dr. José Lopes Dias, já na sua altura se preocupava com problemas que são nos dias de hoje bem actuais, como por exemplo a educação, a saúde, que são interesses básicos das populações do interior e que cabe ao Governo salvaguardar. A desertificação sucessiva e cada vez maior a que se tem vindo a assistir, deve-se ao modo como os diversos governos tem olhado para o interior, o que afecta concelhos como os de Penamacor, quando ao fim ao cabo somos contribuintes líquidos, como os de outros concelhos mais favorecidos. Com homens como o Dr. José Lopes Dias o cenário actual seria com certeza outro. 

Tecer alguns considerandos sobre o Dr. José Lopes Dias, enquanto Médico e Homem Público Ilustre da nossa terra, é algo que faço com muita honra e prazer.

Quanto a mim, as palestras e os discursos devem ser claros, precisos e acima de tudo, curtos. Não sei se conseguirei respeitar estes parâmetros.

Na minha juventude lembro-me do Dr. José Lopes Dias já como Médico famoso que era, com créditos bem firmados entre nós.

Lembro-me de o ver no Lagar de Azeite que aqui tinham, hoje infelizmente em ruínas e também em Castelo Branco quando fui estudante no então Liceu Nuno Álvares Pereira.

Apesar da grande diferença de idades, foi uma figura de referência para mim.

São conhecidas as suas qualidades enquanto médico brilhante, tecnicamente próximo da perfeição, e que se reflectia nos resultados obtidos.

Sempre o vi como um homem claro, linear, brilhante, que encontrava saídas e soluções onde outros há muito haviam desistido.

O seu percurso de vida, hoje, mais do que nunca, é uma referência para todos nós.

Tenho lido e ouvido sobre ele os mais rasgados elogios.

Apesar do seu brilhantismo, o Dr. José Lopes Dias era uma pessoa extremamente simples, sem arrogância, de trato muito afável e que não fazia qualquer distinção entre colegas, a todos tratando de igual forma leal e cortês.

Sempre tratou todos, indistintamente com correcção e respeito, desde funcionários, alunos, colegas ou enfermeiros.

Era também um homem voltado para o futuro e numa visão já então muito clara do que seria e será  a saúde no futuro, fundou a 1.ª Escola de Enfermagem em Castelo Branco.

Foi, pois, um médico brilhante, sobressaindo entre os seus pares e que marcou gerações de colegas e de enfermeiros.

A outra faceta do Dr. José Lopes Dias, a do Homem Público é fascinante.

Criava amizade através das suas ideias. Homem amante da sua terra, de ideias claras e sem meios termos, o Dr. José Lopes Dias surpreendeu pela sua personalidade forte, pela sua dinâmica de trabalho, o seu poder de persuasão, a sua energia que todos conhecem e que fica patente pela sua vida fora.

Proporcionou muitas oportunidades, virou do avesso, exigiu...

Nasceu em 5 de Maio de 1900, nesta freguesia, então Vale de Lobo, pelo que faria no passado dia 5, 110 anos de idade. O pai era Professor do ensino Primário. Eram tempos difíceis. Fez o curso dos Liceus em C. Branco e terminou o Curso de Medicina em Coimbra em 1923.

Foi um homem apaixonado pelo ensino, educação, saúde, investigação, regionalismo, bem como pela sua região. O seu cunho regionalista expressava-o na união de  todos os albicastrenses na defesa das suas aspirações comuns, algo que nos deve servir de exemplo a todos, nos dias de hoje, em que parece que andamos todos à deriva, quando cada vez mais necessário se torna darmos as mãos em prol de projectos comuns e necessários a toda a população.

Com efeito, o regionalismo é uma das características que sobressai na maior parte da sua obra bem como na de seu irmão Dr. Jaime Lopes Dias, e que também hoje devemos recordar com saudade. Repare–se: hoje volta a discutir–se novamente o tema do regionalismo e no meu modesto entender, as regiões terão que ser repensadas no nosso país, através de leis simples, mas adequadas à realidade de cada região.

Com a sua vivência política entre Coimbra e Paris, desenvolve o seu ideal Republicano através de um humanismo que orientou toda a sua actividade, com preocupações sociais, de ensino e educação, contribuindo para o desenvolvimento cultural e social de Castelo Branco e da respectiva região, pela via do Regionalismo, então muito em voga e hoje muito em voga também. E vejam: estamos este ano a comemorar também os100 anos da implantação da República.

A saúde publica era o seu fascínio pois sentia profundamente quanto havia a fazer na prevenção das doenças, da educação para a saúde, com algo indispensável ao êxito do desenvolvimento humano.

Em família, realizaram a parábola dos vimes «aqueles vimes frágeis que um pai pediu a seus filhos, a fim de lhes demonstrar que não valendo nada um a um, se reunidos todos seriam inquebráveis, invencíveis». Esta parábola deve hoje ser apanágio da nossa forma de estar, porque todos juntos, somos poucos para fazer e vencer os desafios que temos pela frente para a realização das necessidades mais prementes da nossa querida aldeia.

O Dr. José Lopes Dias sentia bem que a riqueza de um país depende de uma população evoluída ao nível da cultura, ensino, educação, saúde, desenvolvimento social e económico.

Quando em 1948 fundou a Escola de Enfermagem de Castelo Branco, hoje Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias com a finalidade de superar as carências em enfermeiros nesta região interior do pais.

Na nossa aldeia criou o Centro de saúde, onde os medicamentos não faltavam. Facilitou a formação da maioria dos enfermeiros

O seu pai foi há muitos anos atrás homenageado como benemérito. Era Presidente de Junta de então Joaquim Martins Bogas, velho amigo e discípulo de seu pai. Prof. José Lopes Dias.

Tal como ele aceitei o convite do Américo para a realização da homenagem que hoje se presta. Prova de que os tempos são outros. Na homenagem a seu pai houve 234 pessoa que contribuíram com o seu donativo . Nesta hoje prestada  houve 118. Uma diferença quase de 50%. Mas isto não passa de números, porque o importante foi que o povo de hoje, tal como o de há muitos anos atrás, soube estar presente e contribuiu para que esta homenagem se concretizasse, apesar de algumas vicissitudes sentidas.

E também hoje não poderemos deixar fora da história da nossa aldeia outros factos, tais como :

 - Na homenagem prestada a seu pai, convém recordar com saudade e carinho que a ela esteve presente o Sr. Padre Domingos Francisco Chorão, juntamente com outras forças vivas de então da nossa aldeia. Hoje, a história repete-se, embora duma outra forma, e temos presente na homenagem ao Sr. Doutor José Lopes Dias, o nosso actual pároco, Sr. Padre César António Cruz do Nascimento, a quem estamos também muito gratos pela sua disponibilidade apesar da agenda muito preenchida que tem,   e dizer-lhe que estamos em condições de lhe afirmar a muita amizade e carinho que o povo da nossa terra lhe dedica com muita intensidade do fundo do seu coração.

Ontem como hoje, o monumento aqui fica, a atestar que ainda não se perderam entre os beirões os sentimentos de bondade, de afectividade e de Justiça.

Este   monumento, constitui para os vivos que o virem e para os que se nos seguirem mais um exemplo desta pequena povoação, talvez única aldeia, ou das muito poucas que se poderá orgulhar de ter realizado uma homenagem desta natureza a uma tão ilustre figura.

Não se estranhará que os filhos e demais familiares  do homenageado se associem com bom senso e gratidão  ao que se   faz pela memória do seu querido e saudoso pai e familiar e ao mesmo tempo dizer-lhes que o povo do vale da Senhora da Póvoa, hoje tal como ontem, continua confiante na continuação da sua preocupação para com ela, designadamente para os mais idosos e não só, pelos quais muito ainda poderão fazer, perpetuando assim, duma forma feliz e eficaz, a memória da família Lopes Dias, para todo o sempre. O nosso desafio aqui fica, agora depende de todos vós. Contem connosco. Um reconhecimento profundo para o Escultor e também para o graniteiro e designadamente ao povo do Vale da Senhora da Póvoa, sem cuja ajuda tal homenagem não teria sido possível, da maneira fácil e correcta como o foi, à Câmara Municipal de Penamacor e a todos os que se associaram a este acto de homenagem dando-lhe um significado não apenas de devoção e sentimento mas também de um dever cívico.

Falar de seu pai, Prof. José Lopes dias, seria dar um exemplo aos políticos de hoje. Também foi Presidente de Junta e realizou obras como os Lavadouros Públicos, o chafariz artístico da Praça, a Escola Primária Masculina, hoje transformada neste Edifício, a Escola Primária Feminina, o calcetamento da Rua Direita com calçada à Portuguesa, a Igreja Matriz, o troço da EN233 entre Penamacor e Sabugal – 1864- 1948. E hoje ao que é que assistimos? Gasta-se dinheiro, obras não há. Vamos no entanto acreditar que um dia tal situação se inverta.

Este discurso como é óbvio não poderia terminar sem deixar aqui bem expresso um agradecimento profundo e amigo em nome da Junta e do povo da nossa terra ao Américo Valente, por ter sido o  impulsionador desta iniciativa e agora realidade. Bem hajas Américo pela tua força, coragem  e dedicação. Com esta homenagem fica mais um marco histórico na nossa Freguesia. Homens como tu também fazem a história dum povo. Segue em frente e conta sempre connosco e que Deus te ajude em toda a tua vida e da tua família.

Uma última palavra de agradecimento aos restantes elementos do executivo desta Junta que  desde o principio se disponibilizaram para que esta obra fosse hoje a realidade que é.

E também a todos os elementos da Assembleia de Freguesia sem qualquer excepção, designadamente pela concordância da colocação deste busto, no local onde agora está.

Viva a Família Lopes Dias. Viva o povo do Vale da Senhora da Póvoa, Viva o concelho de Penamacor.

 VIVA PORTUGAL! 

António Joaquim dos Reis Bogas

 

Maria do Carmo Mugeiro não esteve presente nesta inauguração por motivo de se encontrar a fazer uma peregrinação pedestre ao Santuário de Fátima, mas não quis deixar passar esta data sem manifestar a sua presença. Mandou que fosse entregue a Américo Valente o quadro alusivo ao evento e que o mesmo fosse mostrado à população.

A Família Lopes Dias esteve representada nesta inauguração, tendo comparecido cerca de 45 pessoas, descendentes dos doutores Jaime Lopes Dias, José Lopes Dias, António Lopes Dias, e Victor Lopes Dias.

Foto: Joaquim Lopes Dias, António Lopes Dias, Jaime Lopes Dias, Victor Lopes Dias e José Lopes Dias

 

 

 

Terminado o discurso do Dr. António Joaquim Reis Bogas, discursou a seguir de improviso o Dr. Domingos Torrão. Terminado este discurso, começou a chover com alguma intensidade. As pessoas presentes seguiram para o Recinto de Festas de Santiago, onde umas entradas e almoço, constituído por dois pratos, bacalhau à brás e ensopado de cabrito, as esperavam, numa tenda gigante montada para o efeito. Estiveram presentes mais de 150 pessoas.

Quero aqui deixar um agradecimento especial à cozinheira, Dulvina Augusta Mugeiro, bem como a todas as pessoas que colaboraram na confecção da comida e distribuição da mesma pelas mesas:

Maria de Jesus Adelino, Otília Capelo, Alzira Capelo, Matilde Mugeiro, Angélica Carrilho, Ester Leal, Fernanda Melo, Maria Pires Campos, Cilda Mugeiro, Natividade Capelo, Carlota Adelino, Teresa Silva, Ofélia Valente, Maria Teresa Gameiro e Noémia Neto.

Agradecimento especial também para as pessoas que contribuíram com géneros (batatas, ovos, etc). e para quem contribuiu com sobremesas.

Agradecimento especial a António Robalo Adelino pela colaboração prestada nos preparativos do recinto, transporte de fogões e bilhas de gás,  e  pela cedência da aparelhagem de som utilizada durante os discursos.

Agradecimento especial a António Manuel Lopes que foi incansável na montagem da tenda e preparação do local onde decorreu o almoço e no apoio que deu à cozinha.

Eis algumas fotos do almoço:

         

          

           

13 de Maio de 2010

Vale da Senhora da Póvoa

José Lopes Dias  Homenageado pelo povo da sua terra

Família e antigos alunos marcaram presença

A população de Vale da Senhora da Póvoa uniu-se para erguer um busto ao fundador da actual Escola Superior de Saúde de Castelo Branco.

A homenagem é do povo da aldeia de Vale da Senhora da Póvoa, mas o homenageado é um “grande benemérito das populações do distrito de Castelo Branco”. A frase está escrita no pedestal do busto de José Lopes Dias, o médico que há 62 anos fundou em Castelo Branco a então Escola de Enfermagem, hoje Escola Superior de Saúde do Politécnico.

Um grupo de naturais desta freguesia do concelho de Penamacor iniciou há alguns meses uma recolha de donativos para reunir sete mil euros. Américo Valente deu a cara pela iniciativa, alimentando a campanha através da sua página pessoal na internet. Mas o mérito é entregue por ele ao povo da sua aldeia.

“Este povo deve sentir-se orgulhoso por ter conseguido tudo sozinho, sem apoios oficiais”, referiu ao Reconquista no dia da homenagem. A Junta de Freguesia e a Associação dos Amigos de Vale da Senhora da Póvoa também ajudaram na concretização do objectivo.

No dia da inauguração, Américo Valente era um homem feliz, não só pela ideia ter chegado a bom porto mas também por ter reunido 45 elementos da família Lopes Dias.

José Lopes Dias, o filho mais velho do médico, lembrou “a forma afectiva” como o pai se referia à aldeia natal e aos seus conterrâneos, afectividade que segundo este “se manifestava de várias formas, desde as consultas médicas graciosas quando aqui vinha, à disposição para ajudar os seus jovens a frequentarem a Escola de Enfermagem que fundou e dirigia em Castelo Branco”.

Além de médico, José Lopes Dias foi também jornalista, escritor, historiador e um estudioso de médicos como Amato Lusitano. Tinha ainda a paixão pela pintura e pelas raízes, razão pela qual nunca deixou o território que o viu nascer.

“Nunca quis sair de Castelo Branco e teve vários convites vindos de Lisboa e de Coimbra”, lembra o filho José.

O apego de José Lopes Dias à terra e ao desenvolvimento do interior foi também referido por António Reis Bogas, o presidente da Junta de Freguesia de Vale da Senhora da Póvoa.

“A desertificação sucessiva e cada vez maior a que se tem vindo a assistir, deve-se ao modo como os diversos governos têm olhado para o interior (…) Com homens como o Dr. José Lopes Dias o cenário actual seria com certeza outro”, afirmou o autarca no seu discurso. E lembrou que foi ele que também criou o posto de saúde da aldeia “onde os medicamentos não faltavam”.

Domingos Torrão também lembrou José Lopes Dias como um homem que nunca esqueceu as raízes e que deu a mão a muitos dos conterrâneos, que tiveram na enfermagem a sua profissão. Para o presidente da Câmara Municipal de Penamacor se foi difícil implantar uma faculdade de medicina no distrito, por decisão do Governo de António Guterres, “imaginem as dores de cabeça que deve ter tido para avançar (há 62 anos) com uma escola de enfermagem em Castelo Branco”.

Uma vida marcada por Lopes Dias

Antiga enfermeira não faltou à homenagem

Maria Estela Camejo foi aluna do primeiro curso de enfermagem criado por José Lopes Dias. Mas o médico marcou a sua vida desde os primeiros momentos.

Muitos dos que iniciaram a sua formação pela mão do fundador da Escola de Enfermagem de Castelo Branco estiveram no Vale da Senhora da Póvoa para lhe prestar homenagem.

Maria Estela Camejo é um caso especial por várias razões. Foi aluna do primeiro curso de enfermagem em 1948, mas o seu percurso cruza-se com a figura de José Lopes Dias desde o primeiro ano de vida. Ainda bebé é atingida por uma difteria, que naquele tempo levava para a cova muitas crianças da sua idade. Lopes Dias salvou-lhe a vida graças a um tratamento de papas de linhaça com mostarda, contou ao Reconquista.

Estelinha, como também é conhecida, é natural da Lardosa, no concelho de Castelo Branco, onde nasceu há 84 anos. O seu pai foi colega de liceu do pai de José Lopes Dias e a ligação à família nunca mais se quebrou.

Anos mais tarde, Estelinha decidiu que queria ser enfermeira e estava decidida a ir estudar para Lisboa, após ler um anúncio no jornal. Conta que já tinha entregue a candidatura quando certo dia se cruza em Castelo Branco com José Lopes Dias, a quem confidencia a vontade. Ele mostra-se contra, perante a desilusão da jovem Estela.

“Olhe que já me basta a minha mãe que não quer que eu vá tirar o curso de enfermagem”, disse-lhe então. Afinal era apenas um mal entendido e Estelinha ficou a saber naquele momento, pela boca do próprio, que estava para abrir uma escola de enfermagem em Castelo Branco.

Findo o curso e o estágio, José Lopes Dias pediu-lhe para ir exercer enfermagem para a Benquerença, aldeia de origem do pai do médico. Estelinha foi “encantada” e exerceu a profissão numa terra onde antes da sua chegada não havia um Verão sem a morte de uma criança por falta de assistência e onde os bebés tomavam gema de ovo com cinza para se desenvolverem.

“Para mim foi extraordinária aquela terra, era gente boa, amigos”, recorda hoje.

Maria Estela Camejo passou ainda por Oledo, em Idanha-a-Nova, e esteve 11 anos nas Termas de Monfortinho, no mesmo concelho.

Lista de pessoas que deram donativos

Importância recebida: 7 802.00 Euros

Alfredo Moutinho

Amâncio da Silva Nunes

Américo Valente

Ana Maria Lopes Dias

Ana Maria Lopes Dias Manarte

Ana Silva Mendes Nabais

Angélica Carrilho

Angélica Nabais

Ângelo Silva (Austrália)

Anónimo

Anónimo

António Branco da Silva

António Francisco

António Joaquim Brito

António Joaquim Reis Bogas

António Lages Cheicho

António Manuel Lopes

António Manuel Lopes Dias

António Mendes

António Mendes Adelino

António Mendes Nabais

António Oliveira da Fonseca

António Panalo Pedrico

António Pires (tio)

António Pires Adelino

António Robalo Adelino

António Silva Eiras

António Teixeira (Curelhas)

António Valente

Associação dos Amigos do Vale

Bernardino Capelo

Cláudia Pires Adelino

Carlos José Reis Valente

Carlos Pires Adelino

Domingos Lopes

Félix Campos

Fites Pires Cameira

Fitz Pires Cameira

Francisco Mugeiro (França)

 

 

 

Graça Roque

Henrique Antunes Capelo

João Antunes

João Bogas Fonseca

João Branco

João Brito

João Carmo Mugeiro

João Joaquim Capelo

Joaquim Adelino (Macau)

Joaquim Branco Borrego

Joaquim Cabanas (Meimoa)

Joaquim Campos

Joaquim César

Joaquim Manuel Carrilho Capelo

Joaquim Manuel Jesus Carrilho

Joaquim Mendes

Joaquim Pires Cheicho

Joaquim Silva Martins

Joaquina do Nascimento Ramos

José Augusto Mendes Nabais

José Badaia

José Francisco L. Mugeiro

José Joaquim Baptista

José Jorge Cameira

José Leitão Adelino

José Lopes Dias (Filho) médico

José Manuel Campos Tomé

José Maria (Enfermeiro)

José Mendes

José Silva Eiras

José Silvio Pires Bogas

Josefina Teixeira

Junta de Freguesia

Ludovina dos Anjos Gamas

Manuel Campos

Manuel da Conceição Francisco

Manuel da Conceição Lopes

Manuel Mendes Caroço

Manuel Mugeiro

Manuel Pires Campos

 

 

Manuela Vaz

Maria Amélia Cameira (Melita)

Maria Amélia Lourenço Capelo

Maria dos Anjos Badaia

Maria Anjos Bogas Barreiros

Maria do Céu Lourenço Pimenta

Maria do Carmo Mugeiro

Maria dos Reis Silva Eiras

Maria do Rosário

Maria do Rosário Barreiros

Maria do Rosário Mendes

Maria Cândida Cheicho

Maria Cândida Lourenço

Maria Carmona

Maria Fernandes

Maria Elisabeth Lopes Dias

Maria Inês Lopes Dias Manarte

Maria da Luz Valente

Maria Joaquina Carrilho

Maria Paula Lopes Dias

Maria Pires Campos Machado

Maria Teresa Carrilho Brito

Maria Teresa Gameiro

Maria Teresa Martins Braz

Maria Teresa Silva Cameira

Maria Vaz Cheicho

Natividade Lourenço Silva

Noémia Neto

Norberto Martins

Patrícia Valente (Inglaterra)

Paulo Carvalho (Inglaterra)

Pedro Lopes Dias (família)

Rogério Robalo

Rui Galvão

Sara Silva

Tecla Branca

Teresa  Jesus Campos Gamas

Teresa  Jesus Carrilho

Victor Lopes Dias (família)

Vicência Jesus

 

 

17 de Maio de 2010

No passado dia 10 recebi o email que se segue, enviado por Isabel Lopes Dias, filha do Dr. Victor Lopes Dias:

Sr. Américo Valente:
Venho dar-lhe os parabéns pelo que conseguiu organizar no Sábado passado.
Em muito pouco tempo, materializou a nobre ideia de homenagear o tio José e juntou não só muitos dos habitantes do Vale como quase toda a família Lopes Dias (contei uns 45, entre grandes e pequenos).

O tio José era realmente um homem excepcional, que eu recordo frequentemente, não só pela sua obra e a sua inteligência, mas também pela elegância com que tudo fazia: como observava, falava, pensava e escrevia e como tratava todos. Fiquei muito contente que - mesmo tantos anos depois da sua morte - a população tenha decidido apoiar esta sua iniciativa.

Só o tempo não ajudou como devia, mas haverá outras ocasiões, já que  para mim será sempre um enorme prazer conviver com a boa gente do Vale.

A minha Mãe, o meu irmão e o meu marido associam-se aos meus agradecimentos, extensivos a todos, não esquecendo as excelentes cozinheiras que tanto trabalho tiveram!

Muito obrigada mais uma vez e até uma próxima oportunidade.

 Isabel Lopes Dias

04 de Junho de 2010

Vale da Senhora da Póvoa

Como é sabido, no dia 8 de Maio foi inaugurada a estátua em homenagem ao Dr José Lopes Dias, natural desta aldeia. A ideia partiu de Américo Valente e foi publicada em 29 de Outubro de 2009. Tendo sido bem acolhida, juntaram-se nesta iniciativa os Srs. António Joaquim Reis Bogas e Joaquim Manuel Carrilho Capelo que, no Vale se movimentaram para que se passasse da ideia à acção. Através deste site foi feita uma campanha para recolher donativos para a construção da estátua e, mais uma vez, o povo desta aldeia contribuiu generosamente.

Os donativos ultrapassaram largamente o valor da estátua e os organizadores acima referidos, resolveram brindar a população com um almoço, feito pelas pessoas da terra, como já é também sabido e largamente divulgado.

 

O quadro seguinte mostra as receitas e despesas efectuadas:

             
    Estátua do Dr.José Lopes Dias          
    Discriminação Receitas Despesas Saldo    
    Busto em bronze   4.140,00 -4.140,00    
    Pedestal em granito amarelo natural com base 10 cm C/letras   717,00 -4.857,00    
    Donativos Recebidos 7.802,00   2.945,00    
    Despesas Diversas com a implantação da estátua   100,00 2.845,00    
    Almoços e jantares    1.467,32 1.377,68    
    Louças   131,15 1.246,53    
    Montagem da tenda   40,00 1.206,53    
    Transporte de mesas - Filomena Marques   50,00 1.156,53    
    Transporte de carnes   20,00 1.136,53    
    Bebidas diversas   269,45 867,08    
    Totais 7.802,00 6.934,92 867,08    

Como podemos verificar neste quadro, temos um saldo positivo no valor de 867.08 euros, que decidimos aplicar na compra  e montagem de um esquentador no bar do Recinto das Festas e proceder à pavimentação do mesmo com mosaicos. Já pedi orçamentos para estes trabalhos. Oportunamente serão dadas informações precisas sobre estes trabalhos.

As louças constantes do quadro acima, foram também oferecidas à comissão de festas, aumentando assim o seu património.

Américo Valente

29 de Junho de 2011

Vale da Senhora da Póvoa

Segundo informações prestadas pelo presidente da Junta de Freguesia, António Reis Bogas, estão a decorrer obras no Largo António Pires Carrilho (recinto das festas), nomeadamente na cozinha/bar. Estas obras compreendem a instalação de um cilindro eléctrico para água quente, substituição do lava-louças existente por um novo de duas cubas, tendo estas já sido efectuadas no passado mês de Maio por José Sílvio Pires Bogas. No entanto, estão a decorrer os trabalhos de pavimentação da cozinha/bar com mosaicos anti-derrapantes e alteração da rede de escoamento de águas daquela instalação.

A verba remanescente dos donativos para a implantação da estátua do Dr. José Lopes Dias, levada a cabo no dia 8 de Maio de 2010, no valor de 867,08 euros, foi aqui totalmente aplicada. Mas como o valor dos trabalhos ultrapassa esta quantia, o restante será suportado pela Junta de Freguesia.

(Américo Valente)

 

CONGRESSOS

Ao folhear a obra do Dr. Jaime Lopes Dias - IV Congresso e Exposição Regional das Beiras - de 1929, verifiquei com agrado as palavras proferidas na 3ª sessão do Congresso pelo Dr. José Lopes Dias Júnior, que passo a transcrever:

Castelo Branco, 18 de Junho de 1929

Ordem do dia:

Problemas de higiene das Beiras

Tomou a palavra o Sr. doutor José Lopes Dias Júnior que apresenta e relata a sua tese "A tuberculose pulmonar no distrito de Castelo Branco" justificando com larga cópia de argumentos as conclusões do seu trabalho, que são como seguem:

1º - Há no distrito de Castelo Branco entre 2500 a 3000 indivíduos, de ambos os sexos, portadores de tuberculose pulmunar;

2º - Não existem no mesmo distrito, os mais rudimentares organismos de profilaxia e de combate a esta doença;

3º - Nos hospitais existentes, os tísicos, qualquer que seja o grau de evolução e forma das suas lesões, são internados nas enfermarias de clínica geral, o que facilita a difusão do bacilo de Koch, por não disporem de condições para a sua hospitalização, facto tanto mais lastimável sendo certo que é impossível de evitar no estado actual da Assistência Pública;

4º - Os doentes pobres desta região, susceptíveis do tratamento sanatorial, só excepcionalmente podem recorrer aos estabelecimentos de repouso e cura, que, perante o número progressivamente crescente de doentes, apenas comportam uma insignificância de lugares; assim, ainda, no caso de um doente conseguir ser internado num Sanatório, a sua permanência ali é curta, e escassa, pela necessidade imperiosa de deixar vago o seu lugar , para outro pretendente;

5º - Apesar de neste distrito, a impregnação tuberculosa se acentuar, como de resto em todo o país, desde a grande guerra (1914-1918) e a pandemia gripal de 1918 e 1919 acusando uma mortalidade média anual de 267 indivíduos, ainda até hoje não procuraram os meios de a debelar e combater;

6º - E, no entanto, o clima, neste distrito, possui na Serra da Estrela, cêrca da Covilhã, as condições ideais dos climas de altitude, e, nas vertentes e sopé da Serra da Gardunha, na vizinhança da cidade de Castelo Branco, a regularidade térmica, o ar puríssimo, a escassa humidade, a protecção dos ventos, a baixa pressão barométrica, a notável luminosidade e o absoluto silêncio necessários à execução do regime Brehmen, nas estações de planície e de meia-encosta;

7º - Devem por isso ser criados, com a maior urgência, organismos de luta anti-tuberculosa no distrito de Castelo Branco, como seja um Sanatório de altitude na Serra da Estrela e um Sanatório de planície ou de meia-encosta na Gardunha, comportando duas a três centenas de leitos, e Dispensários Anti-Tuberculosos  nas cidades de Castelo Branco e Covilhã, e nas sedes de concelho  do distrito, sendo as mais importantes as de Fundão, Idanha-a-Nova, Penamacor e Sertã;

8º - A luta anti-tuberculosa deve assentar em Leis novas nos moldes da lei Léon Bourgeois, e da Lei Honnorat, convenientemente adaptadas, criando enfermarias especiais de isolamento para tuberculosos anexas aos hospitais existentes, estimulando inteligente e pràticamente a filantropia particular e local, custeando o Estado metade das despesas e os organismos administrativos ou particulares a outra metade. Enfim...

9º - O IV Congresso Beirão emite o voto de que os altos poderes do Estado procedam quanto antes à reorganização da luta anti-tuberculosa em moldes de uma larga descentralização regional.

 

 

(Américo Valente - Pesquisas)

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