Colhidas
pelo autor na Romaria
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Nossa Senhora da Póvoa Onde é vossa morada Num desvão da Serra d’Opa Numa casa caliada
Nossa Senhora da Póvoa Mandai-nos um tempo alegre Que há quatro dias que chove Água fria como a neve
Nossa Senhora da Póvoa
Minha mãe, minha madrinha
Dizem que salvais as almas
Salvai-me também a minha
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Nossa Senhora da Póvoa Que dais a quem vos vai ver? Dou-lhe água da minha Fonte Que está sempre a correr
Nossa Senhora da Póvoa
Inda lá hei-de voltar
Que me esqueceu a mantilha
Debaixo do vosso altar
Nossa Senhora da Póvoa Que dais aos vossos romeiros? Dou-lhes água da minha Fonte Sombra dos meus castanheiros
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Nossa Senhora da Póvoa
Dai-me a mão pela janela
Que não quer o ermitão Que entre na vossa Capela
Nossa Senhora da Póvoa À vossa porta me empino Miro-me nos vossos olhos Como num espelho fino
Nossa Senhora da Póvoa Para o ano lá hei-de ir Se me fizer o milagre Que este ano lhe fui pedir
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Nossa
Senhora da Póvoa
Mandai sol que quer chover Que se molham os romeiros Que vos querem ir a ver
Nossa Senhora da Póvoa Vinde abaixo, ao arraial Romaria como a vossa Não a há em Portugal
Nossa Senhora da Póvoa
Que tendes no pucarinho? Água para os meus romeiros
Que vêm secos do caminho
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Colhidas
no Cancioneiro da
Cova
da Beira
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Nossa
Senhora da Póvoa
Quem vos deu o manto verde? A filha do nosso Rei Duma doença que teve
Nossa Senhora da Póvoa Meu ramalhete de cravo Aqui tendes o rapaz Que livrastes de soldado
Nossa Senhora da Póvoa Senhora da Boa Esperança
Acudi aos portugueses
Que estão metidos em França
Nossa Senhora da Póvoa Inda lá hei-de ir um ano Essa vossa ladeirinha Hei-de-a subir cantando
Nossa Senhora da Póvoa Aqui vimos merendar À sombra do vosso rosto Nas semilhas do altar
Nossa Senhora da Póvoa Deitai os olhos ao chão Acudi aos portugueses Que andam fora da Nação.
Nossa Senhora da Póvoa
Vós morais aqui sozinha Mandai-me fazer uma casa Que eu quero ser vossa vizinha
Nossa Senhora da Póvoa Inda lá hei-de ir um ano Ou a pé ou a cavalo Ou no burro do Ti Albano
Nossa Senhora da Póvoa Tem o manto a fazer Bordado a retrós verde Oh! Que lindo há-de ser
Nossa Senhora da Póvoa
Que dais a quem por vós chama?
Às casadas, bom marido E às solteiras, boa fama
Nossa Senhora da Póvoa Deitai os olhos à terra Acudi aos portugueses Que andam metidos na guerra
Nossa Senhora da Póvoa Santo nome de Jesus Sempre foi a 3 de Maio No dia da Santa Cruz |
Nossa Senhora da Póvoa
Onde tendes a assistência? Para cá de Vale de Lobo A dar visitas à Benquerença
Nossa Senhora da Póvoa
Meu raminho de cereja
Aqui está à vossa vista
Para que a Senhora o veja
Nossa Senhora da Póvoa Tem vinte e cinco meninos Moram na arraia de Espanha São todos castelhaninhos
Nossa Senhora da Póvoa Tem o manto amarelo Dai-me o amor solteirinho Que eu viúvo não o quero
Nossa Senhora da Póvoa
Dizei-me onde morais? Ao fundo da serra d’Opa No meio dos estevais
O nosso Rei é um cravo
A rainha é uma flor Oh! Que lindo ramalhete Veio de Penamacor
Ó Ribeira do Anascer Quem te pudera passar Trouxera Nossa Senhora Cá para o nosso lugar
Nossa Senhora da Póvoa O vosso andor tem fitas A Senhora do Incenso Manda-vos muitas visitas
Nossa Senhora da Póvoa
Minha rosa encarnada
Ao fundo do Alentejo
Chega vossa nomeada
Nossa Senhora da Póvoa Eu pró ano lá hei-de ir Casadinha ou solteira Ou criada de servir
Nossa Senhora da Póvoa Vós morais em Vale de Lobo Bem puderens Vós Senhora Vir morar no nosso povo
Nossa senhora da Póvoa
Meu raminho de bugio
Acudistes à devota Que estava afogada no rio |
Já passei o Anascer
A
cantar a ladainha
Só para ver Nossa Senhora
Mais a Santa Sabina
Eu hei-de ir a Vale de Lobo Ver a Senhora da Póvoa Ver a Senhora da Póvoa Na sua tribuna nova
Nossa Senhora da Póvoa Dai-me do vosso jantar Dai-me da vossa enguia Que anda ao redor do mar
Nossa Senhora da Póvoa
Vou-me embora e já vos deixo Vou-me para a minha terra
E passo à loja do Freixo
Nossa Senhora da Póvoa Minha rosa em botão Alumiai-me Senhora Quando for já no caixão
Nossa Senhora da Póvoa Dai saúde ao meu amor Que eu prometo de vos dar Uma vela do seu altor
Nossa Senhora da Póvoa Vosso pomar tem leitugas Mandai-o regar, Senhora Pelas moças e viúvas
Nossa Senhora da Póvoa
Estais na tribuna redonda
Fazei-me lá um cantinho
Quero estar à vossa sombra
Nossa Senhora da Póvoa Aqui tendes a devota A quem vós destes a vida Estava na tumba já morta
Nossa Senhora da Póvoa Raminho de salsa crua Detrás do vosso altar Põe-se o sol e nasce a lua
Nossa Senhora da Póvoa
Não nos dá cá o fastio
Assentados no relvão Já cá temos o cu frio
Nossa Senhora da Póvoa Já cá vamos à Meimoa Que terá o vosso sino Que o vosso sino não soa |
Nossa Senhora da Póvoa Nossa Senhora da Póvoa Viva a Velha, Viva a Nova Viva a Velha, Viva a Nova
Nossa Senhora da Póvoa Nossa Senhora da Póvoa Chicha velha, carne nova Chicha velha, carne nova
Nossa Senhora da Póvoa Quem tendes lá por vizinha
À mão direita S. José E à esquerda Santa Sabina
Nossa Senhora da Póvoa
Dai-me do Vosso almoço
Dai-me daquela enguia Que anda ao redor do poço
A ribeira de Meimoa E mais a do Anascer Trouxera-as Nossa Senhora Cá para o nosso poder
Nossa Senhora da Póvoa Minha mãe, minha madrinha Oh! Que madrinha eu tenho A viver descansadinha
Nossa Senhora da Póvoa
Inda lá hei-de tornar
Lá me fica o coração
Preso ao vosso altar
Nossa Senhora da Póvoa Este ano não prometo Que me morreu o marido Ando vestida de preto
Nossa Senhora da Póvoa Que dais ao vosso menino? Pela manhã papa doce À noite, leite divino
Nossa Senhora da Póvoa
Já cá vimos à Meimoa
Abri as portas, Senhora
Que vos quero dar uma coroa
Nossa Senhora da Póvoa Já cá vimos à ladeira Deitai as pombinhas fora Que vão beber à ribeira
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Américo Valente - Pesquisas